O que é ser ator, por Paulo Autran

•19 de agosto de 2011 • 2 Comentários

Trechos de entrevistas para diversos veículos reunidas no site do Instituto Moreira Salles:

Intuição – “Pode acontecer, numa construção de um personagem, aquele dia abençoado de intuição. E tem outras vezes em que esse dia não chega. Vem a temporada toda, a temporada acaba, e você diz: ‘Não teve aquele dia’. Aí é triste. Você faz porque o texto te leva, o teu personagem te leva, mas você sabe que não atingiu, digamos, o fundo, não foi lá. Acontece. O mais engraçado é que a sua opinião nem sempre coincide com a dos outros.”

Verdade – “Um dos melhores exercícios que eu acho em teatro para desenvolver a imaginação do ator é mandar ele dizer ‘Eu quero tomar café’ de n maneiras distintas, porque com isso essa simples frase pode ter muitos significados. Ele só tem que dizer isso, ‘Eu quero tomar café’, então tem que falar essas palavras como se estivesse dizendo ‘eu te amo’, ou ‘eu te odeio’, ou ‘minha mãe acabou de morrer’, ou ‘ainda vou te matar’, e assim por diante. O importante na interpretação é o que o personagem tem em mente ao dizer as frases do texto. Isso é que faz uma interpretação ser verdadeira ou não. Quando o ator decora seu texto feito um papagaio e solta simplesmente as palavras, ele não vai causar impressão alguma.”

Leitura e interpretação – “Não há melhor exercício para um ator do que interpretar um texto escrito só para ser lido. É outro tipo de esforço. Você tem a questão do ritmo, de como transmiti-lo ao vivo para uma plateia. É fantástico. A valorização da palavra é diferente da de um diálogo. O diálogo é escrito para ser dito, e aquele texto, não.”

Estrelas – “Não adianta uma atriz pensar assim: ‘Eu vou ser uma estrela’. O público é quem faz as estrelas. De repente, em um espetáculo de principiantes, você se surpreende com aquela menina no palco que nem é tão bonita assim, mas que tem um negócio que você não tira os olhos dela. Por quê? Porque ela tem carisma. Ela um dia vai ser estrela. Então, são seres que, parece, a natureza botou a mão em cima e abençoou. É a mesma coisa na pintura, na arquitetura: tem gente que tem dom. Teatro é arte, então, não é todo mundo que pode ser artista. Muitas pessoas aprendem, muitas pessoas fazem direitinho e não chegam lá.”

Autobiografia – “Foram pouquíssimos os personagens que eu fiz com os quais eu tinha algum ponto de contato. Um deles, em Depois da queda, de Arthur Miller, tinha muitos pontos de contato comigo, com o que eu estava pensando naquela ocasião, com o que eu achava da guerra, da violência, do mal que cada um trás dentro de si, e que nós somos obrigados a conviver com o mal dos outros e com o nosso mal também. Tudo isso batia naquele tempo, embora a vida do personagem fosse totalmente diferente da minha. Mas eu nunca joguei, conscientemente, a minha infância na criação de um personagem – devo fazer isso inconscientemente.”

Permanência – “Esse fato de o teatro ser efêmero, para mim, é um dos seus encantos. Se eu acreditasse, por exemplo, na vida eterna, talvez me preocupasse em não ficar tanto como vão ficar os autores, quanto vão ficar os filmes, quanto vão ficar os programas de televisão, se é que eles vão poder ser guardados por todos os séculos. Mas para mim não é nenhum problema não ser eterno.  E não me interessa a mínima, depois que eu acabe, o que é que vai acontecer.”

 

FELIZ DIA DO ATOR!

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Sensación-ALL

•15 de janeiro de 2011 • Deixe um comentário

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Primeiro choro, A primeira briga, o primeiro beijo, a primeira amiga,

A primeira carta, o primeiro disco, primeira-dama, primeiro risco…

A primeira prova, primeira guerra, primeiro estrondo, primeira cratera

O primeiro corte, primeira injeção, primeira sorte, primeira opção…

Sensación-ALL

À primeira vista, primeira canção, primeiro filho, primeira emoção,

Primeira raiva, primeiro tesão, primeiro verso, primeira impressão…

Primeiro medo, primeiro segundo, primeiro sonho, primeiro mundo,

Primeira fuga, primeiro passo, primeira procura, primeiro compasso…

Sensación-ALL

Primeira aula, primeira fração, primeira pausa, primeira lição,

Primeiro mergulho, primeiro enjoo, primeira chuva, primeiro voo…

Primeiro sexo, primeira aventura, primeiro vício, primeira loucura,

Primeira casa, primeira cor, primeira queda, primeira dor…

Sensación-ALL

Primeiro grito, primeira imagem, primeiro mito, primeira viagem,

Primeiro livro, primeira margem, primeira certeza, primeira mensagem…

Primeiro abraço, primeiro animal, primeiro suspiro, primeiro carnaval,

Primeira sede, primeira ensolação, primeira fome, primeira digestão…

Sensación-ALL é viver, deixar aparecer o invisível,

Sensación-ALL é sentir o toque impalpável,

Sensación-ALL é gravar cada momento,

Toda sensação é Sensación-ALL

Vazio

•13 de janeiro de 2011 • Deixe um comentário

o nada… o nada… o nada .. é difícil de explicar…
é como o mergulho no azul do mar…
o nada, o nada, o nada… é o nada…
o mergulho, no fundo, no escuro do NA….DAR….

(Guarany)

Homo-insapiens

•30 de dezembro de 2010 • 4 Comentários

O Homem já nasce cercado de ilusões,
com meia asa quebrada e querendo voar,
e os donos da verdade dizem vai, se deixe levar…
o vento faz sua parte…. se você acreditar…

As coisas são assim, não é preciso explicar,
Pessoas já nascem lutando e pessoas já nascem se perdendo
esperando encontrar uma forma de enxergar
a passagem invisível de volta ao seu velho lar

O Homem vive sua vida cercado de leis
que os impede de viver, não é uma vergonha?
não consegue entender que somos todos iguais
e que essa igualdades nos faz um só

O Homem mata por prazer, e isso o mata aos poucos
tem coragem de matar mas tem medo da morte
Quanto tempo ele ainda vai perder pra entender
que o tempo perdido não vai mais voltar?

O que você tem plantado? o que espera colher?
O que você tem plantado? o que espera colher?
O que você tem plantado? o que espera colher?
mais uma vez…

(Guarany)

SÓ-RISO

•21 de dezembro de 2010 • Deixe um comentário

nem todo sol é amarelo,
nem todo frio é de inverno,
nem toda dor é flagelo,
…todo sorriso é eterno,
Nem todo sol é eterno,
nem todo frio é flagelo,
nem toda dor vem do inverno
nem todo sorriso amarelo…

nem todo riso é Só Riso!

(Guarany jr)

Voa, liberdade

•20 de outubro de 2010 • Deixe um comentário

Jessé

Composição: Mário Maranhão – Eunice Barbosa – Mário Marcos

Voa, voa minha liberdade.
Entra se eu servir como morada.
Deixa eu voar na sua altura
Agarrado na cintura
Da eterna namorada.

Voa feito um sonho desvairado,
Desses que a gente sonha acordado.
Voa, coração esvoaçante,
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado.

Voa nas manhãs ensolaradas…
Entra, faz verdade esta ilusão!
Voa no estalo do meu grito.
Quero ser teu infinito
Neste azul sem dimensão
Voa…

O Hóspede Despercebido

•24 de setembro de 2010 • Deixe um comentário

Deixei alguém nesta sala
que muito se distinguia
de alguém que ninguém se chamava,
quando eu desaparecia.
Comigo se assemelhava,
mas só na superfície.
Bem lá no fundo, eu, palavra,
não passava de um pastiche.
Uns restos, uns traços, um dia,
meus tios, minhas mães e meus pais
me chamarem de volta pra dentro,
eu ainda não volte jamais.
Mas ali, logo ali, nesse espaço,
lá se vai, exemplo de mim,
algo, alguém, mil pedaços,
meio início, meio a meio, sem fim.

(Paulo Leminski)